A Última Chance – Capítulo 1 (Degustação)

Sinopse

Em um mundo devastado pela mutação de um vírus mortal, uma pesquisadora brasileira luta para desenvolver uma combinação de fármacos que aniquile, de uma vez por todas, a propagação desse inimigo invisível. Mas, o que ela não esperava era que seu próprio noivo, Miguel, à frente dos atendimentos de urgência no hospital “Maurice Wilkins”, fosse um dos contaminados. Agora, não apenas a humanidade está em suas mãos, mas também a vida de Miguel depende de suas pesquisas e, vítima da Síndrome do Pânico, ela precisará ser forte para vencer todos os monstros internos e externos que se apresentarão nessa batalha.

Dedicatória

À minha grande amiga, Vivian Limongi, que, trajada com um uniforme especial para atendimentos em Unidades de Terapia Intensiva, põe-se nessa batalha à
pandemia como um soldado resiliente.

Agradecimentos

Meu agradecimento especial ao amigo Henderson Fürst, doutor em direito e presidente da Comissão Especial de Bioética da OAB, que, pacientemente esclareceu-me dúvidas sobre testes de medicamentos em seres humanos. Sem você, esse conto não transmitiria conhecimento.

A Última Chance – Capítulo 1

Brasil, maio de 2021

— Luna, o doutor Miguel testou positivo para  Zovid-19 — Depois de infindáveis minutos refletindo qual seria a melhor maneira de dar aquela notícia, Gabriel não havia encontrado nenhuma outra forma que não fosse entregá-la sem rodeios. — Eu sinto muito…

A informação, dada rápida e certeira, desceu pelo estômago de Luna feito toneladas de pedregulhos. Parecia uma ironia ouvir que seu noivo estava infectado, logo ele que não media esforços para atender seus pacientes. Fora ingênua, avaliou, pois devia ter desconfiado que o excesso de trabalho, as intermináveis horas de dedicação ao combate daquela doença devastadora, mais cedo ou mais tarde, comprometeriam a própria saúde dele. 

Luna se perguntou em qual momento eles haviam se convencido de que eram invencíveis, afinal?! Talvez no instante que prometeram voltar sãos para os braços um do outro quando tudo aquilo terminasse… Cumpririam a missão feitos soldados resilientes, ele no atendimento de urgência do maior centro hospitalar da capital, ela como médica pesquisadora do Instituto Accor, à frente no desenvolvimento de medicamentos que combatessem a cepa responsável pela maior pandemia já vista pela humanidade, a Zars-kov-2. 

Com esses pensamentos invadindo cada centímetro de sua mente, e arrancando até mesmo o oxigênio de suas narinas, seus olhos viram cair sobre si um fio de escuridão que, rapidamente, espalhava-se por todo seu campo de visão. De súbito, não sentia mais o ar gélido do laboratório, o mesmo que há pouco a incomodava mesmo estando inteiramente coberta por macacão, touca, óculos e máscara. As mãos enluvadas soltaram o aplicador sobre a bancada e quase derrubaram os tubos de ensaio que preenchiam. O pânico, companheiro tão conhecido nos últimos anos, voltava a invadi-la.

Quando Gabriel percebeu que ela desfalecia sobre a cadeira, imediatamente a segurou pelos ombros, impedindo que a pesquisadora escorregasse e caísse ao chão. 

— Doutora Luna! — ele exclamou, estarrecido, enquanto via sua chefe ganhar uma palidez amedrontadora. — Alguém me ajude! — ele suplicou aos colegas de laboratório.

Mas se Luna tivesse escolha, ela certamente não desejaria voltar ao estado de normalidade, pois, ao atravessar sua camada de inconsciência, encontrou-se com uma de suas lembranças mais preciosas… No cenário revisitado, a voz de seu noivo Miguel parecia ocupar cada minúsculo ponto do quarto que dividiam.

—  Por que você está rindo? Sou tão terrível assim que não transmito nem um pouco de credibilidade? — ele brincou, ao se sentar na cama dando as costas para Luna e puxando todo o lençol em volta do próprio quadril.

— Ei! — ela gritou, entre risos, resgatando novamente o lençol para cobrir o seu corpo nu. — Isso não é só seu! 

Ele se virou, fingindo uma disputa e agarrando-se à outra ponta do tecido. 

— Pois eu só vou devolver se me der uma resposta e parar de rir. Quer ou não quer se casar comigo?!

A médica continuou rindo deliciosamente ao interpretar:

— Você está me pedindo em casamento só porque acabamos de fazer amor. Volte amanhã cedo, quando estiver com a cabeça no lugar…

— Não acredito que estou ouvindo isso! — Agora era ele quem começava a rir sem parar. — Tive certeza que pediria você em casamento desde a primeira vez que a vi. 

— Ah! Miguel! Que absurdo! Você nem sabe mentir direito…

— E você nem sabe como esse seu jeito imprevisível me deixa ainda mais apaixonado! Juro que eu não esperava essa sua reação… — confessou com um sorriso alargado de orelha a orelha. — Largue esse lençol e erga seu travesseiro. 

—  O quê?!

—  Estou falando sério!  Você está deitada sobre a promessa de uma vida inteira ao meu lado! 

— Miguel!! — ela berrou, com a expressão do rosto ganhando um ar mais sério e uma pitada de nervosismo. 

— Vamos, Luna! Erga logo esse travesseiro!  

Sentando-se na cama, a médica fez o que o namorado pedia e, para seu completo deleite, debaixo de seu travesseiro descansava uma caixinha azul marinho. 

— Abra! — ele a incentivou ao ver os olhos dela marejarem junto com os dele. 

Quando Luna abriu a pequena caixa, saltou-lhe um anel de ouro branco com um Asclépio: o desenho de um bastão envolvido por uma serpente. Por um momento ela teve dúvidas se aquilo realmente era um pedido de casamento ou uma parabenização tardia pela sua formatura… 

— Eu sei que é estranho a pedir em casamento com um anel que tem o símbolo da medicina — ele explicou, percebendo que Luna ficava confusa —, mas isso é para você nunca esquecer de como nos conhecemos…

Miguel era realmente um homem especial, ela não poderia esperar menos dele. 

Com o coração saltando em trampolim, Luna pensou que seria impossível acelerá-lo ainda mais, no entanto, estava enganada. No momento em que ela se jogou nos braços de Miguel, pronta para enchê-lo de carinho, ele lhe roubou um cálido beijo que fez com que os batimentos cardíacos dos dois entrassem em uma sintonia avassaladora. 

Envolvidos por uma paixão efervescente, Miguel a deitou sobre os lençóis pela segunda vez naquela noite, mas tornou-a sua como se fosse a primeira, perdendo-se nela enquanto rolava sobre um mundo macio e sedutor. 

Sentindo o perfume que emanava do corpo dele, Luna entregou-se inteiramente ao noivo, pois, aos toques de Miguel, não havia nem sequer um teste de resistência no qual ela fosse aprovada. E esse, sem dúvida, era o único jogo que ela amava perder. 

  Com o rosto perdido nos cabelos dela, depois de, sucumbidos a um relaxamento incrível, caírem um ao lado do outro, ele poderia esquecer até o próprio nome, mas não a pergunta sem resposta que ecoava em sua memória: 

— E então, você quer se casar comigo? — ele tornou a interrogá-la. 

Dessa vez, aquele pedido doce se entremeou a uma voz preocupada e exigente que chamava Luna de volta para a consciência.

— Doutora! — insistia. — Está me ouvindo?

Em estupor, ela se perguntou por qual razão deveria atender quem a chamava. Por que voltaria para um mundo devastado pela dor e pela miséria, quando era possível viver ao lado de Miguel, num tempo em que as pandemias só existiam em seus livros científicos? Agora o tema fazia parte de seu cotidiano e a Zovid-19 tinha ceifado milhares de vida, muito além do que previam as estatísticas — e o pior, logo Miguel seria contado entre elas.

As nações não haviam perdido o controle devido à gravidade da doença, mas sim pela falta de solidariedade humana — a face oculta do homem que se apresenta em tempos de medo. Enquanto a infecção atingia com bravura somente os rostos marcados pelo tempo e as mãos tremulantes pela idade, ainda existia esperança de conter a pandemia… Mas aquela face oculta da humanidade já dava seus primeiros sinais…

Primeiro, viu-se o desrespeito às orientações que eram dadas para conter a proliferação do Zars-Kov-2, muitos negaram o próprio isolamento social por considerarem fora do grupo de risco. Depois, a ida desenfreada aos supermercados a fim de estocar alimentos em casa — uma busca sem sentido, uma missão falida que, com o objetivo de garantir apenas sua proteção, sem pensar no outro, o desalento era entregue não somente ao próximo, mas também para si, pois, arrancava-se a chance de o mundo construir uma população saudável capaz de impedir a propagação da doença.

Da mesma maneira, sucederam-se compras imprudentes e desnecessárias de máscaras, remédios e produtos desinfetantes. Não percebiam que quanto menos gerenciavam a crise com amor a quem morava ao lado, mais cavavam a própria sepultura, favorecendo a multiplicação de seu inimigo invisível. Davam força a um ser microscópico para que ele, em sua miudeza, derrubasse grandes homens.

Com o cenário perfeito, o Zars-Kov-2 sofrera mutação, tornando-se invencível para todos os organismos, pois passou a fazer vítimas fatais sem nenhum critério. Ele se agigantara sobre o egoísmo humano e se fez insuperável. Todos eram grupos de riscos pois o Zars-Kov-2 não escolhia idade ou comorbidade, muito menos classe social, profissão, ganância ou humildade. Era um convite para a morte.

— Pelo amor de Deus, doutora! — Luna ouviu novamente aquele chamado desesperado e, dessa vez, reconheceu quem o fazia. Era Gabriel.  

Abriu os olhos e se viu diante do médico pesquisador, colega de sua equipe de trabalho. Gabriel lhe dava muito mais que apoio profissional, ele era sua rocha em momentos desafiadores, um grande amigo que a revigorava principalmente quando a Síndrome do Pânico a engolia feito tsunami.

—  Você vai precisar ser forte, até mais do que suas crises de ansiedade! — ele anunciou, segurando o rosto dela entre as mãos. — Não é só a humanidade que depende de suas pesquisas… A vida de Miguel também está em suas mãos.

Plágio é crime. É expressamente proibida a republicação dessa história, pois possui direitos autorias.

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8 respostas para “A Última Chance – Capítulo 1 (Degustação)”

    1. É impossível não se ver nos personagens. A emoção, as aflições, a euforia… Tudo isso é transmitido para o leitor, é realmente uma história envolvente. Lindo.

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